NOVIDADE Orfeu Negro | A PRETENSÃO DE ANTÍGONA, de Judith Butler

NOVIDADE Orfeu Negro


A PRETENSÃO DE ANTÍGONA
O Parentesco entre a Vida e a Morte
de Judith Butler

 

Antígona não significa estritamente uma linhagem,
mas algo mais próximo do «derramar sangue» — aquilo que é preciso saldar
para preservar os Estados autoritários.

— Judith Butler


A PRETENSÃO DE ANTÍGONA propõe uma nova leitura do legado de Antígona — a célebre insurgente de Sófocles, ícone feminista de desafio e contestação. Ao interrogar-se sobre as formas de parentesco que lhe poderiam ter permitido viver, confrontando o parentesco e o poder do Estado, Judith Butler associa os corajosos actos de Antígona às reivindicações das pessoas com relações de parentesco ainda por reconhecer, e demonstra como o parentesco heteronormativo continua a decidir o que deve, ou não, ser uma vida vivível. Recupera-se o significado revolucionário desta figura clássica, integrando-o numa política sexual progressista. 
Já na nossa loja online e nas livrarias de todo o país.

Judith Butler lecciona na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e é das principais figuras teóricas contemporâneas do feminismo e da teoria queer. Escreveu obras pioneiras como Problemas de Género: Feminismo e Subversão da Identidade e Corpos Que Contam: Os Limites Discursivos do «Sexo» (publicadas na Orfeu Negro), e tem contribuído amplamente para a renovação dos estudos de género. É também das vozes mais activas no debate actual de questões éticas e políticas, e as suas reflexões filosóficas são indissociáveis de uma postura activista, designadamente no que diz respeito à defesa da causa palestiniana e ao movimento Occupy Wall Street. Em livros mais recentes, Butler tem—se centrado numa ética da não-violência no contexto de colectivos políticos e de movimentos de transformação social.

30.04.2024 | por mariana | A pretensão de antígona, Judith Butler, livro, novidade

"Fantasmas e Delírios”, uma jornada de estudos que conta com a participação especial da artista Bette Gordon e do cineasta Sandro Aguilar

Entre os dias 2 e 3 de maio, na Escola das Artes da Universidade Católica no Porto

O Fantasma enquanto metáfora

Entre os dias 2 e 3 de maio, realiza-se o seminário “Fantasmas e Delírios”, uma jornada de estudos que conta com a participação especial da artista Bette Gordon e do cineasta Sandro Aguilar, e será complementada pela inauguração da exposição de Letícia Ramos (precedida de uma performance), e uma sessão de cinema no Passos Manuel, com a projeção de Mariphasa (2017), de Sandro Aguilar, com a presença do ator e fotógrafo António Júlio Duarte. Os eventos realizam-se entre o Auditório Ilídio Pinho, da Universidade Católica Portuguesa, e o Cinema Passos Manuel.


O seminário “Fantasmas e Delírios” vai proporcionar uma discussão em torno das diversas formas nas quais noções como espectro, sombra, invisível, irreal, matéria ou memória são exploradas no âmbito do cinema e das artes visuais. “A reflexão será norteada pela ideia de que o fantasma pode ser entendido, por um lado, como uma figura visual ou um tema, e, por outro lado, enquanto um conceito com uma forte dimensão simbólica ou metafórica,” refere a organização.

Estão confirmadas as presenças de Bette Gordon, pioneira no Cinema Independente Americano, conhecida pelas suas ousadas explorações de temas relacionados com sexualidade, desejo e poder. Variety, o seu mais aclamado filme, é uma história audaz sobre uma mulher que vende bilhetes num cinema pornográfico, na miséria iluminada de Times Square em meados da década de 1980. As suas longas-metragens incluem Luminous Motion (2000), um road movie hipnótico e perturbador, The Drowning (2017), um thriller psicológico baseado no romance do autor britânico Pat Barker, e Handsome Harry (2010). O trabalho de Gordon foi exibido nos principais festivais internacionais, incluindo Cannes, Berlim, Toronto, Locarno, Viena, Varsóvia, Rotterdam e Tribeca. Os seus filmes ganharam prémios em festivais como La Biennale di Venezia, Locarno Film Festival, Gijón, Oberhausen, Vila do Conde, Indielisboa, Montreal e foram exibidos nos principais festivais de cinema mundiais; de Sandro Aguilar foi alvo de retrospectivas no BAFICI, Roterdam Film Festival, New York Film Festival (Views from the Avant-Garde), Arsenal-Berlim e Oberhausen. Em 2013 foi convidado a integrar o reputado programa DAAD – Artist in Residence, Berlim; de Letícia Ramos, uma artista cientista que pesquisa o impacto que os fenómenos geológicos e climáticos podem ter na imaginação. O seu trabalho parte dos fenómenos naturais e efeitos ópticos para tratar de conexões simbólicas entre política, ciência e imaginação onde o futuro e o passado se sobrepõem. Na rigorosa investigação do meio fotográfico analógico utiliza a escultura, a maquete e técnicas de efeitos especiais para criar paisagens imaginárias, narrativas e fabulações que se formalizam em fotografias, em filme e instalação. Os seus trabalhos integram coleções como Fundação Botín, Novo Musee de Mônaco, Kadist Collection, Itaú Cultural, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Instituto Moreira Salles e Pinacoteca do Estado de São Paulo; e de António Júlio Duarte, estudou fotografia na AR.CO, em Lisboa e no Royal College of Art, em Londres. Autor de vários livros, o seu trabalho é exibido regularmente, em Portugal e no exterior, desde 1990.

30.04.2024 | por mariana | Bette Gordon, Escola das Artes da Universidade Católica no Porto, Fantasmas e Delírios, Sandro Aguilar, seminário

ERNESTO NETO – NOSSO BARCO TAMBOR TERRA

Ernesto Neto, um dos mais internacionais e conhecidos artistas brasileiros, apresenta uma instalação imersiva, que evoca o cruzamento de culturas entre os diferentes continentes.

Com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, Nosso Barco Tambor Terra é uma das maiores esculturas realizadas, até hoje, por Ernesto Neto. A sua forma foi-se definindo ao longo de meses de trabalho, em diálogo com o espaço arquitetónico do MAAT e com o entorno do museu, extremamente denso de um ponto de vista histórico e simbólico, por representar o ponto de partida das caravelas que rumaram para o lugar que depois viria a ser chamado de Américas.

 

Partindo de imagens (velas) e materiais (lonas e cordas) geralmente associadas às viagens transatlânticas, o artista cria um conjunto de instalações inéditas que ocupam as várias dimensões do espaço. Para a criação da obra, foi utilizada principalmente chita, um tecido de algodão relativamente barato e extremamente difuso no Brasil que geralmente é decorado com estampas de cores fortes que representam flores e plantas. Esse tecido foi cortado em tiras e crochetado à mão por vários colaboradores, a partir de uma técnica desenvolvida ao longo de anos no ateliê do artista no Rio de Janeiro: o atelienave; e, com o material assim obtido, foram realizadas as células que, juntas, compõem a escultura. O plano geral da obra é desenvolvido à mão livre, através de testes e ajustes, e com a ajuda de softwares específicos, de maneira a ficar preciso, mas também maleável o suficiente para se adaptar às especificidades do espaço, quando da montagem in situ.

 

Nos últimos anos, à margem da sua atividade como artista, Neto tem se dedicado à percussão. Ao longo da exposição, a escultura, que incorpora uma série de instrumentos, será periodicamente ativada por uma programação musical, a cargo de músicos e grupos de vários lugares do mundo, com atenção especial para os ritmos das diásporas africana e asiática. Simbolicamente, o encontro de ritmos e batidas em Nosso Barco Tambor Terra irá constituir um contraponto à multitude de idiomas falados pelo mundo, aludindo à possibilidade de encontrarmos, em momentos e contextos específicos, línguas comuns que permitam uma comunicação que transcende a verbal e possibilita encontros autênticos e profundos. Coerentemente com o desejo do artista de criar uma obra autenticamente coletiva e diversa, os tambores de vários tipos e proveniências que habitam a instalação podem também ser tocados pelo público que visita a exposição.

28.04.2024 | por Nélida Brito | Brasil, ernesto neto, exposição

Lançamento do livro «Tarrafal», de João Pina

EM DIÁLOGO COM O AVÔ, PRESO POLÍTICO, E COM AS ÚNICAS IMAGENS DO INTERIOR DO «CAMPO DA MORTE LENTA», O FOTÓGRAFO JOÃO PINA REGISTA EM LIVRO A MEMÓRIA HISTÓRICA DO TARRAFAL.

No dia em que João Pina abriu uma caixa antiga que guardava negativos, provas de contacto, fotografias de época, cartas e telegramas do Tarrafal, iniciou um diálogo epistolar no tempo com o seu avô Guilherme da Costa Carvalho, enviado em 1949 para o campo de concentração do regime fascista português em Cabo Verde, conhecido também como o campo da morte lenta.

Os pais de Guilherme, Luiz e Herculana, foram as únicas visitas familiares ao Tarrafal na sua fase «portuguesa», levando consigo uma providencial câmara fotográfica Rolleiflex para retratar e dar prova de vida de todos os presos políticos do campo, além de fotografar todas as sepulturas dos mortos.

É a estas imagens, os únicos registos visuais feitos à época no interior do campo de concentração, que regressa João Pina, fotógrafo documental, continuando o seu já vasto trabalho de cartografia da memória histórica e das violações dos direitos humanos em forma de livro. À história pessoal e ao arquivo familiar, Tarrafal junta ainda anos de investigação e de colaboração com ex‑presos políticos, historiadores e famílias cabo‑verdianas, constituindo‑se como um documento de referência para, nos 50 anos do 25 de Abril, lembrar as consequências do passado vivido e compreender os desafios que temos pela frente.

28.04.2024 | por Nélida Brito | joão pina, literatura, tarrafal

Três Curtas-Metragens da Terratreme na Cinemateca

2 de maio às 21h30

Com a presença de Susana Nascimento Duarte

OUTUBRO ACABOU
de Karen Akerman, Miguel Seabra Lopes
com António Akerman Seabra
Portugal, 2015 – 24 min
DOMY + ALIUCHA: CENAS KETS!
de Ico Costa
com Aliucha de Waldir, Domingos Marrengula
Portugal, 2022 – 30 min


JARDIM DE INFÂNCIA
de Susana Nascimento Duarte
Portugal, 2022 – 30 min
Três curtas-metragens produzidas pela Terratreme que exploram o cinema e as suas potencialidades, a partir do universo, da experiência e do olhar da infância e da juventude. Em OUTUBRO ACABOU, seguimos um pequeno cineasta com um convicto propósito: realizar o seu próprio filme. Em DOMY + ALIUCHA: CENAS KETS!, uma pequena câmara de filmar passa pelas mãos de dois jovens amigos, que filmam várias cenas do seu quotidiano em Moçambique, “registando a adolescência, o trabalho, o brincar, o deambular, o cantar e dançar, o desejo”. Em JARDIM DE INFÂNCIA observamos atentamente os rostos de várias crianças numa escola, ouvimos os diálogos do quotidiano escolar, uma ação que é constantemente interrompida por um outro tempo, que segue um andamento diferente, o ritmo dos afetos e das emoções da infância.

28.04.2024 | por martalanca | Terratreme

La Pensée Sauvage, de Adrien Missika

‘Que deveres de cuidado e formas de coabitação exigem os nossos tempos conturbados? Com que tipo de seres nos identificamos? Quem merece o nosso afeto e a nossa atenção? Tirando lições do amor-perfeito selvagem, Missika rega as ervas daninhas no passeio e lava a fuligem das folhas enegrecidas das plantas que crescem debaixo das auto-estradas, numa ação sincera de intenções puras. No entanto, noutros locais, encena o drama de avanços indesejados, carinhosamente rejeitados por um cato Saguaro. Vê-se a si próprio espelhado em cenouras gémeas. Nos excessos vibrantes do pensamento selvagem, as relações botânicas e sociais crescem umas nas outras, confundindo as divisões de espécie, género e família.’ — Dehlia Hannah 

Em simultâneo, inaugura Apenas nós dois, exposição de Emmanuelle Lainé & Benjamin Valenza, no Belo Campo, espaço na cave da galeria, dirigido por Adrien Missika.

Lainé Valenza é um par de artistas, um casal e um dueto, formado a partir de uma conversa perpétua, de um terreno comum na fronteira das suas respetivas pesquisas. Caracteriza-se por um interesse na crítica institucional, na mutação das formas de imagem e na atenção visual, com as suas apostas culturais e políticas subjetivas.
Ao longo dos seus projetos, a dupla emprega várias formas visuais, como a escultura, a fotografia, o cinema expandido, instalações site-specific, televisão em direto e performances.
Galeria Francisco Fino, Rua Capitão 76, 1950-052 Lisboa

02.05.2024, 20 h

27.04.2024 | por martalanca | Adrien Missika

Colin Darch no ISEG | 2 de Maio: "Life Writing" e o Problema da Mediação na Historiografia Contemporânea Moçambicana

Venho por este meio convidá-los a participar e apoiar na divulgação do próximo Seminário de Estudos de Desenvolvimento, com apresentação do historiador, sociólogo e documentalista académico sul-africano Colin Darch (University of Cape Town)
A sessão terá lugar no dia 2 de maio (quinta-feira), pelas 18h, no ISEG.

As inscrições e outras informações estão no link a seguir: https://problema-da-mediacao-na-historiografia-contemporanea-mocambican.eventbrite.pt
programa completo com todos os seminários em maio pode ser consultado neste link: https://www.eventbrite.pt/cc/seminarios-de-estudos-de-desenvolvimento-2024-3033629


OS SEMINÁRIOS DE ESTUDOS DE DESENVOLVIMENTO 2024 RECEBEM: COLIN DARCH/UNIVERSITY OF CAPE TOWN
2 de maio, 18hSala Novo Banco/Quelhas - ISEG

“Life Writing” e o Problema da Mediação na Historiografia Contemporânea Moçambicana


INSCRIÇÕES: https://problema-da-mediacao-na-historiografia-contemporanea-mocambican.eventbrite.pt

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/2590347814472933/

Evento no LinkedIn: https://www.linkedin.com/events/semin-riosdeestudosdedesenvolvi7188171435104755712/

26.04.2024 | por mariana | Colin Darch, iseg, Seminário de estudos de desenvolvimento

Mercado Cultural Ulmeiro

Está a chegar mais um Mercado Cultural Ulmeiro, é já neste próximo fim-de-semana, nos dias 27 e 28 de abril, das 10h às 19h, no Palácio Baldaya - Estrada de Benfica 701.

Este mercado contará com venda de artigos espólio Ulmeiro, livros, cartazes, gravuras, velharias, pinturas da artista plástica Sofia Ribeiro, flores e objetos de decoração da Amélie Papoila, entre outras coisas.

Contamos com a sua visita!


25.04.2024 | por mariana | Espaço Ulmeiro, Mercado Cultural Ulmeiro, Palácio Baldaya

O Apelo da Liberdade, de Arlindo Manuel Caldeira

Sobre a resistência dos africanos à escravidão nas áreas de influência portuguesa.

Entre os séculos XV e XIX, quase 13 milhões de africanos, entre homens, mulheres e crianças, foram obrigados a deixar a sua terra, naquela que foi uma das mais numerosas e dramáticas deslocações forçadas da história da Humanidade.

A maioria deles teve de atravessar o Atlântico e tornou-se, no continente americano, a mão-de-obra fundamental nas plantações, nas minas ou nos serviços domésticos.

Mas como encaravam os escravizados a situação que lhes tinha sido imposta? A historiografia tradicional europeia e americana, de uma forma geral, considerou sempre que a atitude comum teria sido a passividade e o conformismo. Não foi, porém, assim. Um número significativo dos escravizados recusou-se a aceitar o estatuto que lhes determinavam e as obrigações a que eram sujeitos. Essa recusa, manifestada logo nos seus lugares de origem, nos navios em trânsito entre continentes ou já nos novos destinos, assumiu formas muito diversas, dos pequenos gestos de resistência até ao suicídio e à rebelião aberta, traduzida na fuga individual e colectiva ou na revolta organizada.

É sobre esses resistentes e o modo como encararam o apelo da liberdade que trata este livro, resultado da investigação inovadora de um especialista nesta área de estudo.

ARLINDO MANUEL CALDEIRA é licenciado em História e investigador do CHAM (Universidade Nova de Lisboa/Universidade dos Açores). Sobre a temática da presente obra, publicou, além de dezenas de artigos em revistas portuguesas e estrangeiras, os livros Escravos e Traficantes no Império Português: O Comércio Negreiro Português no Atlântico durante os Séculos XV a XIX (Lisboa, A Esfera dos Livros, 2013; Schiavi e trafficanti attraverso l’Atlantico, Milão, Mimesis Edizioni, 2020) e Escravos em Portugal: Das Origens ao Século XIX (Lisboa, A Esfera dos Livros, 2017). É também autor de Mulheres Enclausuradas: As Ordens Religiosas Femininas em Portugal durante os Séculos XVI a XVIII (Lisboa, Casa das Letras, 2017).

 

22.04.2024 | por martalanca | Arlindo Manuel Caldeira, liberdade

Álbuns de Família - fotografias da Diáspora Africana na Grande Lisboa (1975-hoje)

De 28 de abril a 30 de novembro de 2024

Exposição temporária, com curadoria científica de Filipa Lowndes Vicente e Inocência Mata, reúne fotografias da autorrepresentação da diáspora africana em Portugal. São “álbuns de família” com as imagens que os portugueses afrodescendentes e africanos registaram de si próprios e das suas comunidades desde 1975, data das independências dos países africanos de colonização portuguesa, até hoje. Esta exposição enquadra-se nas comemorações dos 50 anos do 25 de abril de 1974, inserindo-se também nas celebrações da Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024), instituída pelas Nações Unidas.
Inauguração Sábado, 27 de abril de 2024 17h30 sobre a exposição.

 

22.04.2024 | por martalanca | Álbuns de Família, FILIPA LOWNDES VICENTE, Inocência Mata