Kiluanji Kia Henda tem vindo a expor internacionalmente – de Guangzhou à Cidade do Cabo, de Nairobi a Veneza - o que desvincula o seu trabalho de uma legitimação que passaria exclusivamente pelas capitais da arte contemporânea do Ocidente. Outro dos traços singulares do seu percurso é que até agora, a apresentação do seu trabalho não tem passado pela legitimação no “pequeno” mundo da “ex-metrópole”, Lisboa. Enquanto artista de nacionalidade angolana, e portanto, de um país hoje independente, o seu art world’s tem estado alheio a um conjunto de políticas culturais que têm a língua portuguesa como ligação, e que insistem em mostrar a arte e respectivos artistas em circuito fechado, itinerando pelas ex-colónias e a ex-metrópole.
23.05.2010 | por Marta Mestre
O que Mónica de Miranda se propõe é “criar espaço para que os fluxos migratórios e transnacionais sejam vistos como uma realidade diversificada e multi-facetada, como uma plataforma criativa de oportunidades e um lugar de trânsitos para mudanças pessoais, culturais e sociais.” No centro da sua estratégia está o princípio da interculturalidade, que deveria implicar uma promoção sistemática e gradual de espaços e processos de interacção positiva, possibilitadora de uma generalização de relações de confiança, de reconhecimento mútuo, de debate, de aprendizagem e de troca.
16.05.2010 | por José António Fernandes Dias
Temas como o racismo, discriminação — seja pela cor da pele, posição social ou género — violência, guerra e os media encontram lugar no trabalho desta artista. A força no feminino e da projecção das mulheres no mundo: “Fui ganhando consciência que o meu corpo de mulher negra é, em si, uma afirmação.”
15.05.2010 | por Joana Simões Piedade
O trabalho de Yonamine que aqui se apresenta organiza-se a partir da evidência da rasura. Yonamine é oriundo de um país rasurado, Angola. Um país em que a história em vez de funcionar como um palimpsesto, como um texto sobre o qual se iam produzindo múltiplas escritas que iam deixando transparecer a escrita anterior, funcionou quase sempre como um processo de apagamento. A história foi sendo rasurada em nome de um interesse maior. O passado colonial português, que Yonamine evoca com subtil ironia no título da exposição e na série dos maços de tabaco “Português Suave”, foi rasurado pela descolonização precipitada, que por sua vez foi rasurada pela guerra, que é agora rasurada pela paz.
14.04.2010 | por Paulo Cunha e Silva
Para um crítico brasileiro não deixa de ser interessante visitar a exposição de um angolano – Yonamine – na galeria 3 + 1 arte contemporânea em Lisboa. Vislumbram-se afinidades poéticas pouco exploradas e recalcadas historicamente. Soma-se a isto, o nome do artista que lembra uma das principais etnias ameríndias que ainda sobrevive no Brasil: a Yanomami. Em um mundo globalizado, onde circulam livremente o capital e as ideias, mas se constrange impiedosamente fluxos migratórios, o contacto entre diferenças culturais se torna um fato político por excelência. Por um lado, há uma tendência a homogeneização, que mede todas as produções artísticas e todas as formações culturais a partir de um mesmo metro poético e social. Em um sentido inverso, na ânsia de se preservar o Outro, acaba-se inviabilizando a tensão das diferenças na defesa de um multiculturalismo sem conflitos e sem trocas. O importante, a contrapelo do politicamente correcto, é fazer com que o heterogéneo se afirme nas suas dissonâncias, revelando o quanto há de convivência e antagonismo neste refluxo pós-colonial da Europa contemporânea.
12.04.2010 | por Luiz Camillo Osório