O ‘Jardim Imperial’ de Délio Jasse, ou Jardim das Delícias Brancas

O ‘Jardim Imperial’ de Délio Jasse, ou Jardim das Delícias Brancas     Jasse considera como os vários projetos coloniais europeus partilharam o mesmo objetivo, pelo qual competiam, de aceder a todo o tipo de recursos para benefício económico das suas elites – uma realidade que, sendo agora impulsionada sob novas roupagens globalizadas por novos (a par dos mesmos velhos) agentes dos chamados progresso e desenvolvimento, está longe de ter terminado.

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25.03.2025 | por Ana Balona de Oliveira

Quando dois livros se propõem identificar o que correu muito mal nos 50 anos de independência

Quando dois livros se propõem identificar o que correu muito mal nos 50 anos de independência Não temos memória de em Angola alguém pertencente à Segurança de Estado ter feito, e da forma como fez, uma ruptura tão grande com o regime e com contornos que têm claramente o perfil de uma denúncia politico-constitucional, pois toda a sua narrativa é feita na prespectiva de quem entende que em Angola o Estado Democrático de Direito está seriamente condicionado por interesses pessoais ou de grupo no âmbito de uma estratégia maquiavélica onde o fim maior, que é a eternização do actual poder rubro-negro, justifica todos os meios que estão a ser usados o que passa, nomeadamente, pela manipulação da comunicação social e do próprio processo eleitoral.

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23.02.2025 | por Reginaldo Silva

António Jacinto ou o empenhamento poético para a liberdade

António Jacinto ou o empenhamento poético para a liberdade Só uma criança tem o mais absoluto e implacável sentido da justiça e da Liberdade irrestrita, inconspurcável — António Jacinto é essa criança interminável e atenta, implacável e dadivosa como um Sol erguendo-se do Golungo Alto ou do CIR Kalunga, acalentando a Humanidade inteira — sem guetos de espécie absolutamente alguma, menos ainda, guetos devido à cor da pele, ao credo professado ou à escala social. É esse António Jacinto que aqui está, nesta possível «Obra Reunida», que o leitor tem agora nas suas mãos.

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21.02.2025 | por Zetho Cunha Gonçalves

O Petróleo de Angola - Pré-Publicação

O Petróleo de Angola - Pré-Publicação A lógica da expansão contínua do capital, através da construção de um espaço abstrato e global para o seu livre movimento, colide com as divisões das jurisdições soberanas. Como argumentaremos ao longo do livro, o processo de inscrição do poder político metropolitano de Lisboa no território colonial angolano traduz esta tensão, observável a partir das distintas e não coincidentes temporalidades entre a expansão da malha administrativa e burocrática imperial na colónia, da dominação militar e da penetração dos investimentos extrativistas na colonia.

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14.02.2025 | por Franco Tomassoni

Lá sou amigo do Rei

Lá sou amigo do Rei Eu a seguir, a tentar com força manter-me de pé, a arrastar os pés, pesados, e a pensar, se me virem assim, humilhado como me sinto, no meio desta chuva, não se esqueçam, lá na minha terra, sou amigo do rei, tenho cavalos para passear perto de casa, comida fresca dos campos e uma mulher que põe as mãos no meio das rastas. Juro-te o caminho ficou mais fácil!

Cidade

31.12.2024 | por Zezé Nguellekka

Emissora Católica de Angola /A rádio mais antiga do país que não consegue ficar velha

Emissora Católica de Angola /A rádio mais antiga do país que não consegue ficar velha Um passado que fala bem, mas às vezes muito mal mesmo, da forma como Angola se tem estado a movimentar no território das liberdades fundamentais ao mesmo tempo que nos dá ideia de como os jornalistas de uma pequena estação emissora souberam afirmar o projecto com a necessária liberdade e independência editorial. Uma afirmação que teve sempre como referência mais crítica a relação do projecto Ecclésia com o poder político, cuja natureza controlista é sobejamente conhecida, mas nem sempre reconhecida pelos seus responsáveis quando são confrontados com este tipo de avaliação.

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15.12.2024 | por Reginaldo Silva

"Sei o que se passa na cabeça de um animal." - entrevista a Ruy Duarte de Carvalho

"Sei o que se passa na cabeça de um animal." - entrevista a Ruy Duarte de Carvalho Hoje já não sei o que dessa recusa é consciente ou inconsciente. Sei é que as razões angolanas continuam a arrepiar-me e as razões portuguesas me deixam perfeitamente indiferente, desde que não impliquem as razões angolanas. Isto, para mim, é uma evidência. Não decorre de nenhuma elaboração mental, ou de uma qualquer afirmação de ordem política.

Ruy Duarte de Carvalho

24.09.2024 | por Maria João Seixas

Não Alinhados#3 Duvide-o-dó (2ª parte)

Não Alinhados#3 Duvide-o-dó (2ª parte) Todos os dias chegam cubanos. No DIP criou-se uma sala só para as peças contra os carcamanos e os fantoches. Eu continuo na projecção das reportagens e de alguns filmes. O 2 dentes de ouro já foi bater continência ao Brejnev (Paiva foi com ele) e assim que chegou, afastou o camarada ministro da defesa, ao que parece vai fazer uma superação profissional no estrangeiro. Nos comitês de bairro só se fala de “aprender, aprender, aprender sempre".

Afroscreen

14.08.2024 | por Fradique

Fausto de cabelo azeviche viola debaixo do braço

Fausto de cabelo azeviche viola debaixo do braço Fausto de cabelo azeviche viola debaixo do braço, generosidade sempre pronta ao tratar o alheio macio por natureza, tranquilo com um sorriso que resolvia parte das macas, era uma figura que se destacava por incrível que pareça pela sua discrição com a música a tiracolo sempre!

Palcos

03.07.2024 | por Isabel Baptista

Angola/ Alguém viu por aí o jornalismo investigativo?

Angola/ Alguém viu por aí o jornalismo investigativo? O país viveu numa situação de ditadura monopartidária assumida nos seus primeiros 17 anos, que também ficou conhecida no discurso oficial com o pomposo nome de “ditadura democrática revolucionária”. Lamentavelmente, a situação prolonga-se até aos dias de hoje embora já com algumas diferenças na sua fachada constitucional e institucional com a existência formal de um regime multipartidário que não alterou, contudo, a natureza do poder absoluto que governa o país com os mesmos vícios de sempre não obstante todo o rejuvenescimento que, a olhos vistos, a elite no poder tem conhecido.

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06.06.2024 | por Reginaldo Silva

Há liberdade de imprensa em Angola?

Há liberdade de imprensa em Angola? Identificar um tema consensual para, em Angola, se debater o estado da liberdade de imprensa está muito longe de ser um desafio fácil de ultrapassar pela polarização existente, mas não deixa de ser uma orientação pertinente que podia conduzir-nos a uma outra reflexão sobre o país real nesta data em que existe uma predisposição maior para este tipo de levantamento. A título de sugestão, este consenso até poderia ser tentado no próprio parlamento com a realização de uma plenária anual consagrada exclusivamente ao estado da liberdade de imprensa no país tendo como referência um tópico mais específico.

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14.05.2024 | por Reginaldo Silva

“A minha arte não é feita de técnica, mas de sentimento”, entrevista a Toy Boy

“A minha arte não é feita de técnica, mas de sentimento”, entrevista a Toy Boy Com 46 anos, Toy Boy acompanhou as várias fases do país no pós-independência e iniciou atividade artística no pós-guerra civil. O seu trabalho é a expressão da vivência na cidade de Luanda, intrinsecamente ligado ao sofrimento e criatividade que se sente nas ruas. Sintonizado com os movimentos e núcleos artísticos da cidade (como o Elinga Teatro e o Fuckin’ Globo), Toy Boy conta-nos o seu percurso com a sinceridade e a sensibilidade que o caracterizam. Driblando as dificuldades no seu caminho e a exigência da sobrevivência, apropria-se de uma certa pop art, fazendo colagens ou ready-mades, instalações, potenciando materiais reciclados como a ferrugem, mas sobretudo dá corpo e voz às singularidades da vida urbana.

Cara a cara

12.05.2024 | por Marta Lança

Sindicato dos Jornalistas Angolanos: uma história singular com mais de 30 anos a partir a pedra dura da democratização

 Sindicato dos Jornalistas Angolanos: uma história singular com mais de 30 anos a partir a pedra dura da democratização Um sindicalismo que começou por ter como grande reivindicação a defesa intransigente do primeiro de todos os direitos fundamentais que é a liberdade de expressão sem a qual a liberdade de imprensa tão cara aos jornalistas mas não só, poderia ser o bem público que a todos serve, sem excepção. É claro que, na prática, as coisas nem sempre são conforme estão escritas, sendo Angola um caso emblemático deste choque, que é permanente, do discurso com a realidade, do texto com o contexto.

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02.04.2024 | por Reginaldo Silva

Jornalismo vs produção de conteúdos no contexto angolano

Jornalismo vs produção de conteúdos no contexto angolano Uma verdadeira corrida atrás da popularidade a pensarem certamente em ganharem algum dinheiro que é o que mais falta faz nos bolsos dos angolanos, sobretudo se este “kumbú” for em euros ou dólares. Por razões até legais, a começar pela exigência de uma carteira profissional passada por uma entidade pública, o exercício do jornalismo não pode estar no mesmo saco, onde cabem os tais conteúdos e os seus produtores. Em causa estão, antes de mais, as responsabilidades, entre direitos e deveres, que o exercício da actividade implica quer por parte dos seus profissionais quer pelos órgãos.

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29.02.2024 | por Reginaldo Silva

O que resta depois do Carnaval: Liceu, Mingas, o hino e a bandeira I Um passo atrás

O que resta depois do Carnaval: Liceu, Mingas, o hino e a bandeira I Um passo atrás É muito fácil esquecer que os hinos nacionais, as bandeiras e as insígnias foram criadas por mãos humanas, gente como nós. O processo de sacralização desses símbolos, como se tivessem sido obra de um deus no início dos tempos, como se sempre tivessem estado ali, como se fossem invioláveis e imutáveis, é uma espécie de pacto coletivo, não necessariamente consensual, muitas vezes implicando a existência de uma bandeira vencida e outra vencedora. Esse é, como sabemos, o caso de Angola, onde a bandeira vencedora triunfou sobre as outras.

Palcos

15.02.2024 | por Aline Frazão

Sororidade!

Sororidade! Na rua, a vender, tudo se partilhava. O que era de uma estava sob cuidado de todas as outras no mesmo espaço. Havia relações de confiança entre minha mãe e suas companheiras que chegaram a transcender o espaço da rua e perduram por anos. Essas mulheres emprestavam o pouco que tinham quando uma ou outra precisasse de ajuda, praticavam o Ubuntu mesmo sem conhecer a palavra: uma era porque as outras eram. Existiam em coletivo. A solidariedade entre essas mulheres não deixava de ser um ato político na medida em que, juntas, resistiam a um contexto sócio-histórico e político hostil, encontrando ferramentas conjuntas para a sua sobrevivência e das suas famílias.

Corpo

17.01.2024 | por Leopoldina Fekayamãle

Memórias do Rio Envenenado

 Memórias do Rio Envenenado Se o cuidado que um rio manifesta ao mundo for retribuído, poderá viver uma vida longa e saudável. Ao longo da sua vida, o rio vê coisas, aprende coisas e transmite o seu conhecimento a quem quiser ouvir. A história de um rio é também a nossa história; a música que canta também é a nossa. Poderíamos dizer que o passado de um rio é uma lente para o nosso futuro e que a morte de um rio prenuncia a nossa própria morte.

Mukanda

23.12.2023 | por Imani Jacqueline Brown

Rosto soberano - primeira estação (terceira variação)- segundo excerto

Rosto soberano - primeira estação (terceira variação)- segundo excerto Assistiu ainda jovem adulto Nas vastas terras angolanas À devoração do irmão natural Pela ferocidade das águas impetuosas E tempestuosas do rio Kwanza

Mukanda

29.11.2023 | por José Luís Hopffer Almada

Angola Degredo Salvação, pré-publicação

Angola Degredo Salvação, pré-publicação Futuro de Angola, leia-se, futuro de Portugal. A fusão de destinos – real e fantasiada – permitia inventariar uma série de dependências e subordinações entre metrópole e colónia. A prosperidade e desenvolvimento de Angola era desejável na justa medida em que servisse o interesse português e tivesse repercussão positiva na metrópole.

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28.11.2023 | por Nuno Milagre

Carta a Angola

Carta a Angola Não bastou o Estado ter demorado mais de 40 anos – mais do que a idade da maioria das vítimas – para tentar assegurar às vítimas o direito à identidade?Objetivamente, aquilo a que assistimos foi um exercício de crueldade, em que se reavivaram gratuitamente sentimentos de perda, de dor e de mágoa, com objetivos que nada têm de nobre.E se nenhum dos restos examinados corresponde às pessoas a quem se disse pertencerem, o que se passará com os restos mortais já entregues às famílias e enterrados sem exames prévios?

Mukanda

20.10.2023 | por vários